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Fonte: Michele Fernandes

Artigo
A queda dos fugitivos*
21/01/2011 13:47

Os criminosos de lesa-humanidade das ditaduras do Cone Sul, que haviam fugido de seus países quando sentiram que perdiam sua impunidade, continuam persguidos pela justiça e, mais cedo que tarde, terminam detidos. Enciso caiu no Rio de Janeiro.
A prisão, no território brasileiro, no final do ano passado, do torturador argentino César Alejandro Enciso acusado da morte dos esquerdistas uruguaios Barredo e William Whitelaw, é o gancho que o jornalista uruguaio Roger Rodriguez usa para aborda a caça da Justiça aos criminosos que integraram as ditaduras do Cone Sul neste texto publicado em "Caras & Caretas"em sua edição de 14 de janeiro.


Ohanessian está na prisão de Villa Devoto. Cordero com prisão domiciliar em Buenos Aires. Bardesio processado no Uruguai. Trócoli isolado na Itália. Sofia escondido em Miami...

A justiça brasileira decretou a prisão preventiva do ex-agente da ditadura argentina César Alejandro Enciso, que implicado no assassinato dos uruguaios Rosario Barredo e William Whitelaw, cujos corpos apareceram mortos junto aos dos legisladores uruguaios Zelmar Michelini e Héctor Gutiérrez Ruiz, assassinados em Buenos Aires em 20 de maio de 1976.

Enciso, também acusado pela justiça do seu país, foi preso no Rio de Janeiro em novembro de 2010, por solicitação do promotor italiano Giancarlo Capaldo, que em outubro de 2006 ordenou a Interpol a captura de 149 repressores das ditaduras do cone sul, entre os quais 33 uruguaios.
Um desses uruguaios é o coronel Antranig Othanessian Othannian, que também foi detido no aeroporto de Argentina em março de 2008 e ainda permanece sob prisão preventiva, à espera duma demorada resolução da justiça desse país, que também analisa a possibilidade de julgá-lo por sua participação na coordenação repressiva entre as ditaduras da região.

Othanessian permanece encarcerado na prisão de Devoto, de onde já foi extraditado para o Uruguai em novembro de 2009 o ex-fotógrafo policial e membro do Esquadrão da Morte, Nelson Bardesio, que se encontra processado no cárcere central de Montevidéu, junto ao ex-policial Pedro Fleitas, por decisão da juíza penal de 8* turno, Graciela Eustachio.

A lista do promotor Capaldo também incluía o coronel Manuel Cordero, mas seu julgamento foi solicitado previamente pela justiça argentina, que logrou sua detenção no Brasil em fevereiro de 2007 e após outro longo processo de extradição foi finalmente trasladado a Buenos Aires e internado no Hospital Militar portenho até dezembro último, quando passou para a prisão domiciliar.
Cordero e Enciso teriam participado diretamente dos assasssinatos de Michelini, Gutiérrez Ruiz, Barredo e Whitelaw, cujas mortes serão julgadas junto a outras violações aos ireitos humanos no marco da causa denominada Plano Condor, que se processará este ano num dos juizados orais federais situados na avenida Comodoro Pi, de Buenos Aires.

Outro dos repressores argentinos implicados no homicídio dos quatro uruguaios, é o ex-comissário inspetor Miguel Ángel Timarchi, acusado pelo jornalista estadunidense John Dinges como autor material dos assassinatos de Michelini e Gutiérrez Ruiz, que en 2010 conseguiu absolvição primaria das acusações que ainda o ligam ao chamad Massacre de Fátima.

Outros dois repressores uruguaios também estão foragidos da justiça. O capitão de navio Jorge Tróccoli, radicado na Itália onde não se concedeu sua extradição, e o empresário Miguel Sofía, envolvido com o Esquadrão da Morte que atuou antes da ditadura uruguaia, que escapou da juíza Eustachio e se manteria oculto em Miami, Estados Unidos.

Barredo e Whitelaw
César Alejandro Enciso não promete ter a mesma sorte que teve seu colega Manuel Cordero, que atrasou por anos a causa de extradição que se realizava no Brasil. Seu caso caiu nas mãos da juíza do Supremo Tribunal Federal Carmen Lúcia, que foi um dos votos a favor do traslado do militar uruguaio para a Argentina.

A causa de Cordero, que também fugira em 2004 para o Brasil até ser localizado em Santana do Livramento pelo ativista Jair Krischke, foi tramitada pelo juiz Marco Aurélio de Melo, que se opunha à sua extradição para evitar que o caso permitisse um revisionismo ainda pendente nesse país. A sorte de Cordero continua, já que hoje está recluso "por razões de idade e saúde" num domicilio desconhecido da capital federal argentina.

Enciso estava radicado no Rio de Janeiro havia 20 anos e utilizava o nome de Domingo Echebaster para trabalhar como "fotógrafo especializado em competições náuticas". També, segundo a Interpol, usava o nome de Horacio Andrés Ríos Pino, que era um de seus pseudônimos quando trabalhava na Secretaria de Inteligencia do Estado (SIDE), da ditadura argentina.

No Brasil, Enciso dizia ser um ex militante dum grupo de esquerda que havia lutado contra a ditadura, quando na realidade estava casado com a filha do general Otto Paladino, um dos comandantes do "poço" Automotores Orletti, onde foram detidos meia centena de uruguaios, vários de ascendencia itlaiana, razão pela qual o requere Capaldo.
A principal prova contra Enciso é o testemunho do repressor arrependido Orestes Estanislao Vaello, que declarou ante a Comissão Nacional de Desaparecidos (CONADEP) que "também no curso do ano 1976, após o golpe de Estado, ocorreu o caso dos uruguaios. Seus nomes eram Rosario Barredo e William Whitelaw. Eram jovens e foram entregues por gente do SIDE".

"Foram presos na Capital - segue Vaello. Foram entregues no "Poço de Bernal"... "Que depois veio gente do SIDE como disse anteriormente, era a gente de gordon, que chegou com duas ou três pessoas que pelo dito durante o almoço pertenciam aos serviços de inteligência do Urugai", acrescenta. Um deles seria o próprio Manuel Cordero.
"A pessoa que os levou se chama Enciso, aliás "Pino". Que pertencia a SIDE e é o que casou com a filha de Otto Paladino. Que desconhece a sorte seguida por esses uruguaios. Que em troca tem conhecimento de que esses traslados eram fetios por intermédio da Divisão Potencial Humano do Departamento de Inteligência Exterior, onde se encontrava um Tenente Coronel Pérez Rosen y um Major de sobrenome Taubers", declarou Vaello.

Um extradível, dois fugitivos
A demora na extradição de Antranig Ohanessian a Itália se justifica oficialmente pelo longo trâmite processual do sistema judicial argentino, que obriga que o expediente passe pelas mãos dos sete juízes da Suprema Corte de Justiça, chegue à vista do Procurador Geral da Nação e finalmente passe à resolução e sentença.

Ohanessian foi acusado pelo promotor Capaldo de participar no sequestro e desaparição dos uruguaios Gerardo Gatti, Bernardo Arnone, Juan Pablo Recagno e Maria Emilia Gatti de Islas, todos eles sequestrados em Buenos Aires em setembro e outubro de 1976 e presos no centro clandestino de detenção "Automotores Orletti".

Inobstante, a própria justiça argentina atua nos mesmos casos de desaparição forçada, a maioria dos quais foram incluídos na causa "Plano Condor" que se abrirá este ano como julgamento oral e público, e que terá ao coronel Manuel Cordero como um dos principais implicados junto a outros repressores argentinos.

Sem dúvida, Ohanessian poderia ser incluído na causa Condor a partir do testemunho dos uruguaios Raul Antuna e Margarita Michelini, que testemunharam ante o juiz Daniel Rafecas nas inquirições sobre "Automotores Orletti" que o "turco" foi um dos que os prenderam em seu domicilio da rua French, 443, em 13 de julho de 1976.
Na lista de requeridos do promotor Capaldo, também se encontra o capitão de navio uruguaio Jorge Tróccoli, que ao ver próxima sua detenção no Uruguai no fim de 2008, decidiu fugir para a própria Itália. Tróccoli havia conseguido anos antes, seus papéis de cidadania para assegurar-se de que não seria extraditado, mas ainda pode (e deveria) ser julgado pela justiça italiana.
O atual Secretário da Presidência, Alberto Breccia, foi o embaixador uruguaio que em dezembro de 2008 reiterou ante o governo italiano o pedido sobre Tróccoli. Breccia ocupou a missão em Roma logo após a substituição do embaixador Carlos Abin, a quem se acusa da demora de um dia, no trâmite de solicitação de extradição, por isso rechaçado.

O outro uruguaio que ainda está foragido, é o empresário Miguel Sofía, que numa entrevista dada a Caras&Caretas (N* 486) negou haver integrado o Esquadrão da Morte ou pertencer à paraestudantil Juventud Uruguaia de Pé. Ameaçou então voltar ao seu país e dizer toda sua verdade ante a justiça. Sofia estaria em Miami. A juíza Eustachio continua esperando...

* Tradução do professor e historiador Bolivar Almeida

Autor: Roger Rodriguez
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