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Artigo
O brasil diante do horror*
10/04/2011 12:40

Theodor W. Adorno disse que, após Auschwitz, seria mesmo impossível escrever poemas. Com isto, talvez tenha tentado mostrar que depois da radicalidade do mal, mesmo nossos sentimentos haveriam de se alterar profundamente. Não é possível, afinal, ter acesso a uma dor tão disseminada sem que o mundo se mova e outras sejam suas formas. O massacre do Realengo é algo tão absurdamente cruel, que é preciso que algo de substancial mude no Brasil. Se há uma homenagem a fazer às vítimas – após o silêncio a ser repartido entre todos como uma pausa para assimilar o que não pode ser compreendido –, ela deve se feita nos termos de uma mudança.

Em 1996, em Dunblane, na Escócia, um homem invadiu uma escola e matou 16 crianças e um adulto. O impacto foi tamanho, que a população recolheu mais de 700 mil assinaturas, com o apoio da imprensa, pelo banimento das armas de fogo, o que foi assegurado pelo parlamento logo depois. Desde então, armas de mão (hand guns) só podem ser usadas por policiais, e mesmo assim apenas por um grupo deles, especialmente treinados. Pois bem, penso que é chegado o momento de o Brasil discutir esta proposta. David Coimbra a defendeu em sua coluna de sexta em ZH, em contraste com a névoa de opiniões desencontradas e especulações sem sentido que marcaram boa parte da cobertura jornalística no dia da tragédia.

Precisamos, é claro, reforçar a segurança nas escolas; especialmente para assegurar uma triagem efetiva de visitantes. Mais: toda escola deve possuir um plano minucioso para o caso de tiros em seu interior ou nas vizinhanças. Algo a ser treinado em diferentes versões e com simulações repetidas, de tal forma que todos saibam o que fazer em situações do tipo. Mesmo porque é possível que Realengo se repita naquilo que se convencionou chamar de “efeito copycat” (trabalhei este e outros temas em “Desarmamento: evidências científicas: ou tudo aquilo que o lobby das armas não gostaria que você soubesse”, disponível para download em: http://bit.ly/eDqCgu )

É impossível erradicar o mal da agência humana. Ele diz respeito à condição básica da liberdade mesmo. O que podemos e devemos fazer é diminuir suas possibilidades trágicas, reduzindo o potencial de letalidade da ação. O que será muito mais difícil de fazer com 16 milhões de armas de fogo circulando no Brasil. O assassino do Realengo era, muito provavelmente, um maluco que encontrou na moral sexual tipicamente religiosa o amparo para sua misoginia. Mas fosse só isto, jamais teríamos um massacre. A tragédia se tornou possível porque o assassino tinha duas armas de mão e muitos carregadores. Sem esses instrumentos delineados para matar, nunca os danos seriam de tal monta.

Não por acaso, massacres em escolas ocorrem com tanta frequência nos EUA, o país com mais armas nas mãos de civis em todo o mundo. A propósito, em 1997, nenhuma criança foi morta por arma de fogo no Japão. Dezenove foram mortas no Reino Unido; 57 na Alemanha, 109 na França, 153 no Canadá e... 5.285 nos Estados Unidos(!). Queremos caminhar para uma realidade assim?

*Artigo publicado no jornal Zero Hora em 10 de abril de 2011
**Jornalista

Autor: Marcos Rolim**
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