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A morte do sujeito político no Brasil, o crescimento do fascismo e a urgência da Frente Ampla
13/10/2017 14:53

Há um elemento muito perturbador na atual conjuntura que passarei brevemente a comentar: trata-se da morte do sujeito político, o que faz com que a sociedade perca qualquer inteligência social e seja totalmente entregue para o jugo da banca financista, da magistratura aristocrática e da mente colonial capitaneada pela principal rede midiática.

A morte do sujeito político no Brasil faz sucumbir toda a essencialidade da política. E, por não existir vazio, a política passa para as mãos de quadrilhas que, não por acaso, usurparam o poder em nosso país sob a batuta de Temer. As quadrilhas são uma espécie de ‘política negativa’: sabemos que são quadrilhas, mas estão aí para ocupar o vazio da política, que já não existe mais na forma anterior, pois tal forma embora garantida pela constituição precisou ser varrida. Na ausência de qualquer discussão de projeto de uma nação (que soa século XX), os quadrilheiros estão liquidando literalmente a pátria, eis aí a real política em curso que deriva das formas estruturais do capitalismo financeiro e sua atuação no Brasil.

Por isso a esquerda está perdida, pois ela deve retornar aos primórdios da ação política (quando se dizia, do ‘trabalho de formiguinha’), e isso é impossível depois de ter conduzido o grande poder de Estado. Por outro lado, a esquerda sem um cenário em que está vigora a essencialidade da política, literalmente deve voltar a semear em terras salinizadas. Ainda não tomamos consciência dessa situação, pois nos partidos de esquerda destroçados pela presente conjuntura, ainda ressoam os sinos de quando eram poderosos e, na melhor das hipóteses, cada um está tentando salvar ‘seu patrimônio político’, o que pode soar ambíguo já que o que a ‘política que está aí’ é o mero jogo de quadrilhas.

Nessa situação, caberia a esquerda avançar para uma política de Frente Ampla, na tentativa de aglutinar todas as forças sociais e políticas para substituir o sujeito político (o/s partido/s). Mas cada grupo está acusando o outro pela situação em que vivemos, então, a Frente Ampla tem pouco concurso e sua ausência também é sintoma do quanto o sujeito político está sepulto.

Contudo, nesta conjuntura, emerge um grupo com ação de ‘vanguarda’, que parece apontar para o futuro um desfecho para a hecatombe vigente, que se dirige a um sujeito social genérico, o povo silencioso e silenciado pelos antigos detentores do poder, e também se diz representar e falar ‘em nome desse povo silenciado’. Vanguarda também em termos de novas formas eletrônicas de ‘ação política’ que não denotam ser as do antigo ‘sujeito político’, como são as formas utilizadas pelo o MBL, vejam que ironia, ‘Movimento Brasil Livre’. Essa ‘forma de vanguarda’ com caráter nitidamente fascista utiliza-se dos meios informatizados (internet, robôs, redes, etc.) para acionar os “Zé Ninguém”, como referiu o grande psicanalista Whilhelm Reich (ver Psicologia de massas do fascismo). Essa idiotia coletiva (em vez de inteligência coletiva) organizada pelos automatismos computadorizados das redes é um novo elemento na conjuntura do Brasil do século XXI. A esquerda em geral sempre desdenhou o entendimento do significado das redes de informação na atualidade e, na melhor das hipóteses, sempre as superestimou, inclusive Castells, quanto a seu uso ‘benéfico para aumentar o empoderamento da ação social’.

Nunca contamos com a possibilidade de organizar a idiotia coletiva em grande escala e colocar milhões de pessoas a dedilhar teclados em auxílio a sistemas robotizados de espalhar mentiras e desinformação e dar um sentido reacionário a uma ação que se veste com a forma de vanguarda: Tecnologia da Informação. Trata-se realmente de uma ‘vanguarda’ também em relação às formas utilizadas pela ‘velha esquerda varrida do poder’ (que não sabe manejar o sistema da Tecnologia da Informação, que ficou com a pecha de ‘representante do sistema’, no caso, da banca financeira e da corrupção, que não percebe a morte do sujeito político, que não aponta um futuro para além de ‘participar de eleições’, vale dizer, o velho jogo de propinas e caixa 2). Por isso, a esquerda não consegue ser a ‘vanguarda social’ na presente conjuntura, condição para plantar o futuro. Quem substitui, então, o papel de uma vanguarda de esquerda? Veja que interessante: são as comunidades das artes e LGBT que, com destemor, tem enfrentado nas ruas e nas mídias os rufiões fascistas que recentemente conseguiram fechar exposições de arte em Porto Alegre e ruidosamente também atacaram o MAM em São Paulo e Rio de Janeiro em nome de que estão gastando em vão o “dinheiro do povo” investido por meio da Lei Rouanet, a qual querem extinguir!

A esquerda parece estar longe dessas ‘picuinhas setoriais da classe artística e LGBT’, pois pensa que terá alguma chance em uma eleição em 2018, a qual sequer está garantida (o STF está no comando do golpe e já intervém no parlamento). Porém, tais ‘picuinhas setoriais’ referem-se à supressão do direito fundamental à livre expressão, e esse ataque a um direito individual tão fundamental traduz o ponto sintomático mais sensível da atual conjuntura: aquele em que o golpe se apresenta não como usurpação do poder de Estado, mas como efeito dramático de supressão das liberdades individuais para além das perdas econômicas ou trabalhistas! Mais um ponto a partir do qual também podemos ler a morte do sujeito político, e o crescimento de formas fascistas novas que se alastram país afora e que se apresentam como uma força capaz de fazer frente ao sistema financeiro da banca, o qual é agora politicamente identificado com a esquerda brasileira. Por isso há a urgência de uma Frente Ampla, que consiga impulsionar um projeto humanista e democrático para o Brasil e capaz de combater o fascismo que se alastra sob as sombras de um governo ilegítimo e da toga de uma magistratura aristocrática.

Autor: Professor Rualdo Menegat
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