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Reflexão Política

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Artigo
Prefeito: divergências e conflitos não são problema. O problema é não saber enfrentá-los
01/09/2017 09:10

Prezado prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Junior.

Recebi sua mensagem declinando do convite para participar da audiência pública sobre “Os impactos das políticas públicas em Porto Alegre” realizada no âmbito da comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa sediada na nossa capital, no último dia 21, justificando que estava em Brasília, tratando de assunto de interesse do Executivo Municipal.

Pois, prefeito, durante quase quatro horas de debates, que lembraram a efervescência democrática das antigas assembleias do Orçamento Participativo, no teatro Dante Barone lotado, muitos porto alegrenses trataram de vários temas de interesses prioritários e urgentes de Porto Alegre.

Uma pena, prefeito, que o senhor não tenha participado para, principalmente, ouvir os recados eloquentes que seus munícipes gostariam de enviar ao senhor. Especialmente, prefeito, porque, como disse o representante do Sindicato dos Municipários, Jonas Reis, os movimentos de protestos se seguirão na capital do estado, conforme o calendário de resistência dos servidores, centralizando o 31 de agosto como dia de luta.

Imagino que o senhor saiba, prefeito, que o Simpa não é um sindicato qualquer. Ele representa servidores da prefeitura, das secretarias municipais, da SMIC, SMAM, SMED, SMACIS, SMA, SMS, SME, SMC, SMPEO, SMURB, SMACIS, SMSEG, DMAE, DEP, DMLU, FASC e ainda o núcleo dos aposentados com 24 representantes, fora os suplentes. Tem uma dimensão notável, prefeito.

No começo da audiência, Reis fez uma explanação contextualizando os impactos das políticas públicas. Lembrou que, mesmo antes de assumir, no finalzinho do governo Fortunati, o senhor prefeito recém eleito já se manifestava contra o pagamento do 13º salário daquele exercício, iniciando seu governo surpreendendo a todos com “uma gestão na contramão do discurso marqueteiro” que desafia os servidores e a população. E em julho, no recesso do Legislativo, enviou um pacotaço à Câmara dos Vereadores extinguindo o passe livre dos idosos de 60 a 64 anos, o meio passe estudantil ataca a juventude e o futuro, retira segunda passagem conquistada pela população.

O senhor propôs mudar a lei orgânica para permitir a privatização da água, do DMAE (autarquia com 54 anos de história, com tarifa de baixo custo e que é superavitária), entregar a Carris, desmontou o OP para não debater o projeto de cidade que história de participação democrática; atacou o ensino diminuindo a hora da educação infantil; desmantelou a assistência social.

“Eleito para ser gestor, o prefeito faz ‘mimimi’ do déficit no caixa, que é uma farsa que já desmentimos”, encerrou Reis, sob aplausos e manifestações de apoio dos colegas, referindo-se à sua predileção por postagens pessoais nas redes sociais, que viram polêmicas.

Singelo e vigilante cidadão como sempre foi, como vereador e prefeito, João Dib, de 88 anos, pediu, em meio a risos da plateia, que o senhor aja com simplicidade na administração do município:

– Simplifica, meu filho, simplifica Marchezan!


Pois Dib afirmou que estava no evento para “ajudar a cidade a encontrar seu caminho”, mas, claro, se o prefeito quiser e aceitar. Recordando que dirigiu o DMAE por duas vezes, ele salientou que esta é uma das raras autarquias superavitária e que possui servidores muito qualificados.

Acolhedor no seu pronunciamento, valorizando a importância de protagonismo da população durante a administração da Frente Popular, iniciada logo após a Constituinte que elaborou a Carta Magna de 1988, o ex- prefeito Olívio Dutra lembrou a trajetória do OP. “Ali, o município resgatou sua importância através do exercício da cidadania”. Olívio asseverou que orçamento é peça política da renda de todos os cidadãos, e não propriedade do governante, seus familiares e amigos. Ainda salientou que o DMAE “é política de estado”, que deve ter continuidade e aperfeiçoamento e não ser desmontado. Do mesmo modo, ressaltou que a Carris deve ser preservada e aprimorada pois já foi premiada como das melhores empresas públicas em transporte coletivo do país, comprovando ser ‘laranja de amostra’. Por fim, Olívio afirmou que “todo servidor público, como é o caso do prefeito, tem que servir bem à cidadania”. Não é a mais pura verdade, prefeito?

Sim, o ex-prefeito José Fortunati revelou certo amargor com a expressão ‘herança maldita” que é o modo como o senhor define o legado que recebeu dele. E, retrucou, classificando de dados mentirosos as informações usadas pelo senhor. “Marchezan comporta-se como um presidente de partido e não como gestor, como foram Olívio Dutra e João Dib”, opinou com a autoridade do exercício do cargo que hoje o senhor ocupa.

Fortunati criticou as intenções de privatizar o DMAE e a Carris. Mas disse que o pior é “o sucateamento invisível nos bairros e vilas sem políticas públicas para os que mais precisam”.
Não vale ao menos uma anotação, prefeito?

Na mesma toada, seu adversário direto no pleito, o ex-vice-prefeito da capital Sebastião Melo afirmou que a população elege governantes “para achar soluções e não apontar culpados e alegar que não sabia dos problemas financeiros”.

Melo disse ainda que o atual prefeito precisa de “diálogo ao cubo, pois quem ganhou a eleição foram o voto nulo e voto branco. Ainda afirmou que o prefeito tem que governar para os que mais precisam, mas agora fechou o Hospital Belém Novo e os 22 CRAS, acaba com a segunda passagem, que é gestão moderna em todo o mundo e sua supressão atinge as pessoas que trabalham na informalidade; equivoca-se ao suspender as assembleias do OP e ameaça retirar direitos dos servidores.

Para a deputada Manuela D’ Ávila, se o atual chefe do executivo municipal fosse mulher diriam que governa de modo “despreparado e destemperado, que não conhece nada além do miolinho central da cidade”. E sugeriu: “Caminha, Marchezan, caminha; conhece toda a cidade”.

O deputado Tarcísio Zimmermann perguntou: “quem tem só os 29% dos votos da população, com que Marchezan se elegeu, tem o direito de fazer tudo que está fazendo?” Já a parlamentar Regina Becker ressaltou que se sente mais tocada pelo desprezo do atual gestor da cidade aos direitos dos animais, pelos quais tanto lutou e cuja secretaria especial foi extinta.

Representando a Câmara Federal, o deputado Henrique Fontana enfatizou que o risco de privatização do DMAE ultrapassa fronteiras de caráter ideológico e programático pois os estudos no mundo todo indicam que a melhor maneira é com oferta e planejamento públicos. “Experiências privadas estão sendo revertidas pois as tarifas subiram e diminuiu a universalização do serviço”, garantiu. Fontana informou que a Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara Federal realizará audiência em Porto Alegre para denunciar e alertar para os prejuízos da privatização dos serviços de saneamento.

Seguiram-se, em tons similares, manifestações dos vereadores André Carus, Fernanda Melchiona, Marcelo Sgarbosa e Sofia Cavedon, e de dirigentes de instituições, de conselhos municipais e de entidades da cidade, como o presidente da CUT RS, Claudir Nespolo; representantes do movimento “Leste contra a Baldeação”, Isnar Borges, setor de transportes Alceu Weber, das áreas cultural Jaqueline Sanchotene e estudantil UEE Livre, Wilson Junior, que contribuíram com a expressiva representatividade ao encontro. E participaram da audiência, também, os deputados estaduais Stela Farias, Pedro Ruas, Jeferson Fernandes e Tiago Simon, e ainda ex- diretores de empresas públicas.

Se o senhor prefeito me permite recorrer à minha trajetória como engenheiro, gestor, secretário de Estado e parlamentar em quarto mandato gostaria de ponderar que na democracia e na política, divergência e conflitos não são problema. O problema é não saber enfrentá-los, prefeito.

O primeiro passo é saber ouvir. Isto é, respeitar, sempre, a opinião alheia, especialmente no caso de quem defende os serviços públicos do município, preservando o patrimônio da população, garantindo a integral prestação de serviços e alcançado, ao fim e ao cabo, a melhor qualidade de vida para todos os que vivem na nossa Porto Alegre.

Autor: Adão Villaverde
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