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Reflexão Política

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Artigo
Orçamento: a máscara é a essência
17/10/2017 15:48

Depois de inúmeras oportunidades de construir saídas para crise das finanças públicas, o que Sartori fez durante quase três anos foi somente implementar ações que oneraram cada vez mais a população, os setores econômicos, o contribuinte e os servidores. Somaram-se "economias" com o tarifaço do ICMS, o aumento do uso dos depósitos judiciais, a venda da folha para o Banrisul, arrocho e parcelamento de salários dos servidores e os desinvestimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura. O que é agravado, ainda, porque chega ao fim de sua gestão sem apresentar um só projeto para a retomada do desenvolvimento do RS, que inclusive o ex-secretário da Fazenda Aod Cunha cobrou aqui neste espaço em recente artigo (03/10/17).

Mesmo com a obtenção da redução dos serviços da dívida, encaminha à Assembleia o orçamento do seu último ano de governo com uma receita insuficiente para a execução dos serviços públicos. Uma peça fictícia para acobertar um discurso pseudo-realista. Que deixa nítido o atalho que continua trilhando, agora associado à celebração, com o ilegítimo governo federal, do Regime de Recuperação Fiscal para, mais uma vez, impor uma negociação indigna ao RS, como fizeram outrora.

Segue superestimando a crise das finanças públicas, como estandarte puramente político, transferindo responsabilidades a antecessores. Empurra a pauta de demandas da sociedade para um patamar rebaixado, nunca antes visto na história do Rio Grande, que constrange qualquer postulação, por mais legítima que seja. Assim, a população não pode reivindicar porque “o estado está quebrado” e servidores, tidos “como vilões”, têm que mendigar o pagamento constitucional de seus salários em dia, sem sequer levantar temas legítimos como piso dos professores, a qualificação da segurança ou mesmo a recomposição de perdas pela inflação de seus aviltados proventos.

Urge o que já reiteramos ao Tribunal de Contas do Estado: mais do que nunca é necessário que realize uma Inspeção Especial junto ao Executivo, para desvendar, de modo real e transparente, para todos os cidadãos, a verdadeira situação das contas públicas rio-grandenses. Para que, de uma vez por todas, caia a máscara da auto-proclamada “responsabilidade fiscal” e se revele a essência de um governo obscurantista, de irresponsabilidade social e de “desgauchização” do RS.

Autor: Adão Villaverde
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