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Reflexão Política

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Artigo
Conviver com a divergência
14/12/2017 08:47

Em tempos de intolerância, sempre é bom revisitar pensadores clássicos, considerados nossas fontes da vida. Nos quais as gotinhas de compreensão e sabedoria, que alimentam nosso espírito, servem para compreendermos pensamentos e condutas da nossa era, principalmente um certo pânico ético-moral. Onde, recorrentemente, a sociedade é dividida, colocada em forma oposta, desprovida de conteúdo e fundamentação, dos seus particularismos até suas universalidades.

Recorro à filósofa Hanah Arendt que, em “Origens do Totalitarismo”, mostra como o Velho Continente permitiu o surgimento da máquina mortífera do holocausto e em “Eichmann em Jerusalém” trata da banalização da irracionalidade a partir do julgamento de um criminoso nazista. São fundamentais reflexões filosóficas para entender seu tempo, “o breve século XX”, e principalmente para compreender “como os povos e os indivíduos aderiram à ideia do genocídio; como o pacto social à época foi definitivamente quebrado; como a hipóteses de uma Sociedade das Nações caiu em ruínas e como aceitamos o inaceitável: a inutilidade da existência, a sensação de estar sobrando e a recusa do outro”?

É deste legado, atualizado ao momento, que exercito no cotidiano a grande lição: divergências e diferenças nunca foram problemas; não saber tratá-las ou enfrentá-las, sim, são!

O narcisismo das novas gerações não enxerga a sociedade para além de suas relações, encerrados permanentemente em uma certa histeria conservadora, agravada pela disseminação virtual que Arendt sequer imaginou.

A tolerância, igualdade e generosidade, a fundamental herança iluminista que reproduziu nossas grandes utopias, perdeu espaço para o arbitrário veto ao direito de expressão, expresso em atos hostis frente a opiniões divergentes.
Acentua-se a referência de Arendt à “ideia do inimigo político como sendo o outro”. Daí os ritos corriqueiros de escracho, de ódio e até de agressões, nas ruas, na mídia ou no ciberespaço. Reforça-se, assim, o “nonsense” de que divergências são problemas, quando, na verdade, a real dificuldade é mesmo não saber enfrentá-las. Pois constituem um valor imprescindível, sobretudo em uma democracia substantiva.

Autor: Adão Villaverde
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