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Reflexão Política

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Artigo
O nome certo do golpe de 2016
27/02/2018 17:02

Para muitos céticos ou mal intencionados, a forte assertiva inicial do título “É Golpe, sim! – Terceiro turno sem urnas, o ataque aos direitos sociais e o entreguismo” (Editora Sulina), que lançamos durante debates em meados de 2016 e apresentamos, formalmente, na edição Feira do Livro de Porto Alegre daquele ano, parecia somente uma afirmação político-doutrinária. Ou uma mera adjetivação, mais útil aos embates eleitorais ou disputas ideológicas do que ao registro histórico que marca uma época tão nebulosa como a que vivenciamos desde a quarta vitória eleitoral da esquerda nas urnas em 2014.

A contundência vocabular do título, reafirmado no conteúdo da publicação, no entanto, era imprescindível para dimensionar a brutalidade da devastadora ruptura praticada contra a nossa democracia, com o impedimento de uma presidenta legitimamente eleita, sem qualquer crime de responsabilidade.

Foi necessário pouco tempo para serem desconstruídas as caracterizações parciais e sem isenção, enunciadas pelos porta-vozes das ideias neoliberais rasas e desprovidas de conteúdo, do conglomerado oposicionista que promoveu o impeachment de Dilma Rousseff e repercutidas, à exaustão, com fervor fundamentalista, pela mídia comercial na defesa de uma insustentável condenação “pelo conjunto da obra”, omitindo toda a sabotagem do presidiário Eduardo Cunha e do traidor Temer.

Rejeitada por não se enquadrar na definição corriqueira de um ataque sem armas praticado contra o governo eleito por mais 54 milhões de votantes, a palavra “Golpe” ajustou-se ao conceito “moderno”, explicitada, por exemplo, pela expressão “golpe brando”, como batizou o Prêmio Nobel da Paz, o argentino Adolfo Perez Esquivel, em pleno Congresso Brasileiro, ainda em 2016, lembrando bravatas similares em Honduras e no Paraguai.

Não tínhamos a menor dúvida da violência continuada que acompanharia o processo de violação da Constituição, de atentado ao Estado Democrático Constitucional de Direito, de rapinagem das conquistas dos trabalhadores e de desonra da soberania da nação.

Agora, além de incontáveis artigos publicados em veículos e sites, surgem estudos e iniciativas acadêmicas que reconhecem o termo “Golpe de 2016” inserindo-o, definitivamente, no cadastro oficial da História do Brasil.

Há universidades – como a de Brasília e da Unicamp – que criaram disciplinas para abordar e analisar o “Golpe de 2016”. Embora facultativa, a matéria da UnB esgotou as vagas e já tem 40 candidatos em fila de espera. A iniciativa do professor Luís Felipe Miguel, do Instituto de Ciência Política da universidade, vale quatro créditos acadêmicos. São três os objetivos da matéria. O primeiro é “Entender os elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática de maio e agosto de 2016, com a deposição da presidenta Dilma Rousseff”.

O segundo: “Analisar o governo presidido por Michel Temer e investigar o que sua agenda de retrocesso nos direitos e restrição às liberdades diz sobre a relação entre as desigualdades sociais e o sistema político no Brasil”.

O terceiro: “Perscrutar os desdobramentos da crise em curso e as possibilidades de reforço da resistência popular e de restabelecimento do Estado de Direito e da democracia política nacional”.

Na paulista Campinas, o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp instituiu uma disciplina com o mesmo nome daquela que será ministrada pelo professor Luís Felipe Miguel, da Universidade de Brasília.

Foi também editada a Enciclopédia do Golpe (Editora Praxis) que, já com dois volumes, esmiúça a cronologia da tramoia, que aglutinou a traição de governantes, parlamentares, empresários, integrantes do Judiciário e setores midiáticos.

O primeiro volume foi lançado em novembro contendo diversos artigos e diferentes abordagens de como integrantes do sistema de Justiça, da República de Curitiba às cortes superiores, serviram de alavanca para a deposição da presidenta Dilma. E para colocar em seu lugar executores de planos de governo que a população brasileira rejeitou sucessivamente nas urnas em todas as eleições presidenciais deste século.

O segundo volume tem como subtítulo O Papel da Mídia, e traz em artigos, ou “verbetes”, métodos, técnicas e estratégias que fizeram dos donos dos meios de comunicação um dos alicerces fundamentais do golpe de 2016.

No RS, no livro “Psicologia, comunicação e pós-verdade” (Editora Abrapso), organizado pelos professores Pedrinho Guareschi, Denise Amon e André Guerra, no capítulo 10, a autora Camila Bengo investiga “O impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff e a pós- verdade” e cita o próprio livro “É Golpe, sim!” como referência bibliográfica que corrobora sua convicção na natureza golpista dos acontecimentos. A pós- verdade é característica de um fenômeno atual, no qual os apelos às emoções e às crenças têm maior influência na formação da opinião pública dos que fatos concretos.

Outro golpe brasileiro, iniciado em abril de 1964, reunindo militares, civis e a imprensa de sempre, para acabar com a democracia, passou todos os 21 anos da ditadura sendo tratado, falaciosamente, como “revolução” ou “redentora”. Este evento de 2016, pelo menos, já nasceu desmascarado: é golpe, sim!

Autor: Adão Villaverde
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