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Reflexão Política

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Artigo
Estado a que chegamos
12/04/2018 08:48

Com a prisão cruel de Lula, o mundo assistiu a um dos mais dramáticos episódios da História. Maior líder político do país pós redemocratização, reconhecido mundialmente por políticas inclusivas para os mais necessitados, hoje é preso político.
Vítima de perseguição implacável por parte de inimigos políticos e através de um “lawfare” nunca antes visto, padece de deploráveis métodos nazifascistas para calá-lo, humilhá-lo e apagar sua história generosa e humana.

Diziam que era mera retórica, quando registramos em livro que era “Golpe, Sim!”, vivíamos um terceiro turno sem urnas, de ataque aos direitos e conquistas e de entreguismo, caracterizado por uma aliança parlamentar-jurídico-midiático-empresarial. Nada como um dia após o outro. Engana-se quem pensa que um “Estado Totalitário Seletivo” pode ter seus limites de atrocidade interditados facilmente. Isto não começou com Lula e seguramente não terminará com ele.
Se parte da sociedade fica indiferente ou aplaude, o ilegalismo do juiz que condena sem provas, acelera julgamento em segunda instância e expede mandado de prisão antes de todos recursos esgotarem-se, evidencia-se que já vivemos sob a égide de uma farsa. Aquilo que a história mostrou na campanha antissemita nazista quando a prova para condenar consistia exatamente na evidência de não necessidade de prova.

A corrupção deve ser investigada e responsáveis punidos. Mas usar “lawfare” como forma de destruir reputação, não tem outra caracterização senão a pura violência fascista, que chegou ao limite na pressão do Comandante do Exército sobre o STF, que, numa democracia verdadeira, jamais poderia ser constrangido, nem por tanques, nem por palavras.
Democratas não podem aceitar tamanho ataque ao nosso Sistema Judicial. O momento é de contarmos com toda solidariedade ativa e democrática dos que entendem que é possível ainda resistir e retomar o Estado Democrático de Direito Constitucional. Para além das eleições, a liberdade de Lula deve se realizar nas ruas, nos parlamentos e nos fóruns internacionais. Se o Estado a que chegamos condena, a História absolverá.

Autor: Adão Villaverde
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