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Reflexão Política

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Artigo
Praça dedicada aos que lutaram ou desaparecem na Argentina
24/05/2013 10:41

A morte do ditador argentino Jorge Videla na sexta-feira (17), em sua cela no presídio Marcos Paz, localizado a 45 quilômetros de Buenos Aires, me remeteu obrigatoriamente a uma passagem da resistência e da luta democrática em nosso país, particularmente em Porto Alegre, que precisa ser recordada para muitos e ser do conhecimento, provavelmente de outros.

Refiro-me à vinda de Videla em meados dos anos 80 a nossa capital.

O general, que comandou o golpe e ditadura no país hermano, iria “reinaugurar” a Praça Argentina, que já havia sido inaugurada muito antes na avenida João Pessoa com a André da Rocha, ao lado do seu colega brasileiro, general João Batista Figueiredo.

Com um grande protesto realizado pelo movimento estudantil, à época, tomamos conta do local e do entorno, na solenidade do dia 22 de agosto de 1980.

A manifestação foi duramente reprimida pela ditadura. Mas o fundamental é que obtivemos êxito no forte movimento que fizemos. Sem o menor clima, Videla desistiu de ir até lá e o espaço é chamado até hoje, felizmente, de Praça Argentina. Imaginem que ‘mico’ estaríamos pagando se na praça fosse eternizada uma placa com o nome do militar genocida.

O episódio de violência desproporcional que estendeu-se à Casa do Estudante da Ufrgs, inclusive, está transcrito no capitulo “O dia em que Videla amarelou” no livro “Abaixo a repressão” de Ivanir Bortot e Rafael Guimaraens.

Meu amigo jornalista Flavio Tavares, que também morou na Argentina e foi encarcerado nas masmorras uruguaia da Operação Condor, escreveu, à guiza de obituário do genocida no sábado passado: “(Videla)nunca se arrependeu do horror dos sete anos da ditadura implantada por sua ação direta e consolidada pelo fanatismo de que ‘contra a subversão’ tudo era permitido”.

Vale atentar, também, para uma lição sugerida pelo que disse o jornalista Eric Nepomuceno, sobre a única coisa que havia a lamentar na morte do tirano: seu silêncio.

Correspondente morando em Buenos Aires, ele acompanhou os horrores da ditadura desde a ascensão de Videla ao poder, integrando uma junta militar que no dia 24 de março de 1976 mergulhou a Argentina num oceano de breu e sangue em turbilhão de violência e desmando que foi o país a partir da morte de Juan Domingo Perón”. (Videla) foi-se embora sozinho, abandonado por quase todos os seus pares e execrado pelos argentinos, e levando segredos que, se revelados, mudariam a vida de milhares de pessoas. Pessoas que saberiam como foram mortos os desaparecidos, e o que foi feito com seus restos, e saberiam da trama obscura e perversa do roubo de bebês, e as avós achariam seus netos roubados, e as mães saberiam de seus filhos mortos”.

Por tudo isto, devemos dedicar, de forma singela e sem nenhuma pretensão de reparo, o nome de Praça Argentina a todos e todas que lutaram, resistiram, tombaram ou desapareceram na luta frente à carrasca ditadura Argentina!

“Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça!”

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*Adão Villaverde é engenheiro, professor e deputado estadual (PT/RS).

Autor: Adão Villaverde*
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