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Assembleia Legislativa
Villaverde: Sartori opta pelo obscurantismo e pela “desgauchização” do RS
18/10/2017 15:10

Em Grande Expediente, no início da sessão plenária desta quarta-feira (18), o deputado Adão Villaverde (PT) reafirmou a gravidade da falta de um projeto de desenvolvimento do RS, por parte do governo estadual às vésperas do último ano de mandato, A ausência absoluta de planejamento remete, também, à renúncia à estratégia de crescimento, à perda de competitividade, à inércia na geração de empregos e ao ataque à auto estima rio-grandense.

Com o título “Sartori: a opção pelo obscurantismo e a “desgauchização” do RS, Villaverde lamentou a escolha do governo que depois de quase três anos com inúmeras oportunidades para construir saídas para crise das finanças públicas do RS – e depois de quase um ano da chegada na Casa Legislativa de um pacote de desmonte das Funções Públicas de Estado – o que Sartori fez foi somente implementar ações que oneraram, cada vez mais, a população, os setores econômicos e produtivos, o cidadão contribuinte e os servidores públicos de nosso Estado escolhidos como bode expiatório do desmonte.

Villaverde destacou que Sartori somou "economias" com o tarifaço do ICMS, o aumento do uso dos depósitos judiciais, a venda da folha de pagamento de pessoal para o Banrisul, o arrocho e parcelamento de salários dos servidores, os desinvestimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura, a renúncia da inteligência do Rio Grande, a tentativa recorrente de entrega do que restou do nosso Patrimônio Público e um ataque brutal às organizações classistas dos servidores (como ocorreu ontem com a aprovação do PL 158/2017, sobre dispensa sindical de servidor público, que nem governos arbitrários tiveram coragem de fazer.

Mas isto é mais agravado, ainda, porque vai chegando ao fim de sua gestão sem apresentar um só projeto para a retomada do desenvolvimento e do crescimento do RS, que inclusive o ex-secretário da Fazenda Aod Cunha, que tinha comandado até então o último Plano de Austeridade no Estado gaúcho (no governo Yeda Crusius), cobrou publicamente em recente artigo em diário da capital.

Para o deputado, este quadro, infelizmente, leva estado “também a uma enorme perda de competitividade, o que seguramente está fazendo com que empresas gaúchas (como o Grupo Gerdau)
comecem a disparar do RS, algumas indo de mala e cuia, inclusive, para a paulicéia, exatamente pelo deserto de Políticas de Desenvolvimento deste governo, por suas escolhas, por suas opções.

O que está nos levando a nos tornarmos uma espécie do lendário Continente de Atlântida, o nosso ancestral marítimo que submergiu no mar. Ou seja, reitero, infelizmente, Sartori e sua base no Parlamento seguem optando e apostando no Obscurantismo e na Desgauchização do RS”.

Villaverde registra, como uma das mais tristes páginas de nossa história, a que teve sua “simbologia de insensatez na aprovação, às vésperas das festas natalinas de 2016, dos PLs de Satori que extinguiam as nossas Fundações, duramente construídas ao longo da formação do nosso pensamento econômico, social, cultural e de sustentabilidade e de visão de desenvolvimento do Rio Grande. E também estão associadas à indigna atitude de atrasar os salários dos nossos servidores públicos”.

O parlamentar afirmou que, mesmo com a redução dos serviços da dívida, que governos anteriores não tiveram, Sartori ainda teve a coragem de encaminhar à Assembleia o orçamento do seu último ano de governo (2018) com uma receita insuficiente para a execução das demandas da sociedade gaúcha. “Uma espécie de peça fictícia para acobertar um discurso pseudo-realista, que deixa nítido o atalho que continua trilhando, agora associado à celebração com o ilegítimo governo federal, do Regime de Recuperação Fiscal para, mais uma vez, impor uma negociação indigna ao RS. Como fizeram outrora, nos anos 1990, deixando dívidas impagáveis aos seus sucessores, que irão comprometer mais ainda, nossas contas públicas”.

O deputado criticou, igualmente, a omissão do governo que não lidera campanha para buscar o ressarcimento e sua forma desrespeitosa para tratar aliados como o ex-governador senador Pedro Simon, chamando sua crença no ajuste de contas referente à Lei Kandir de “balela”, como exclamou na audiência nesta semana, na Assembleia, o histriônico secretário da Fazenda de Sartori.

Com estratégia mais do que batida, acentua Villaverde, Sartori segue superestimando a crise das finanças públicas, como estandarte puramente político e transferindo responsabilidades a antecessores. Empurra a pauta de demandas da sociedade para um patamar rebaixado, nunca antes visto na história do Rio Grande, que constrange qualquer postulação, por mais legítima que seja. Assim, a população não pode reivindicar porque “o estado está quebrado” e servidores, tidos “como vilões”, têm até que mendigar o pagamento constitucional de seus salários em dia, sem sequer levantar temas legítimos como a qualificação da segurança, a recomposição de perdas pela inflação de seus aviltados proventos ou mesmo o piso do magistério.

Urge o que já reiteramos ao Tribunal de Contas do Estado: mais do que nunca é necessário que realize uma Inspeção Especial junto ao Executivo, para desvendar, de modo real e transparente, para todos os cidadãos, a verdadeira situação das contas públicas rio-grandenses. Para que, de uma vez por todas, de modo definitivo, caia a máscara da auto-proclamada “responsabilidade fiscal” e se revele a essência de um governo atrasado, obscurantista, de irresponsabilidade social e de acelerado desmonte de nossa economia, aprofundando a já existente “desgauchização” do RS. O povo não elegeu o governador para isto. Há espaço ainda para revertermos este cenário.”

Autor: André Pereira
 
 
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